“Eu amo Trás-os-Montes naquele silêncio das florestas e das estradas afastadas que aguardam ora a neve, ora o pavor do Verão. Amo-o ainda mais quando vejo a cor da terra e a sombra dos seus castelos em ruínas, quando suspeito o fundo dos rios, os recantos junto dos açudes e a altura das árvores. E perco-me desse mal de paixão, quando, de longe, Trás-os-Montes se assemelha vagamente a uma terra prometida aos seus filhos mais distantes, ou mais expulsos, ou mais ignorados, ou mais mortos apenas. E amam-se aquelas árvores porque vêm do interior da terra, justamente, sem invocar a sua antiguidade ou a sua grandiosidade. Ama-se o frio, até, o esplendor das geadas sobre os lameiros, o sabor da comida que nunca perdeu a intensidade nem a razão. E amam-se os rios, os areais, os poços das hortas, as cancelas de madeira que vão perdendo a cor, e talvez se amem o fogo das lareiras, os ramos mais altos dos freixos e das cerejeiras, os jardins abonecados das suas cidades, o granito das casas, o cheiro das aldeias onde ao fim da tarde se chama paz ao silêncio e se dá nome de chuva à água do céu.”
Francisco José Viegas

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Foto da semana

Terá força suficiente a água para o carrinho de bebé trespassar a parede da piscina ?

2 comentários:

Anónimo disse...

Por esta imagem consegue-se aferir a falta de civismo de certas pessoas.....

Anónimo disse...

Paradela no seu pior! Infelizmente!
As pessoas nunca tiveram nem têm qualquer respeito pelo curso de água que deviam proteger. Há anos que muita gente (e muitos sabem-se bem que são) que fazem dele o seu caixote do lixo, deitam para lá animais mortos, as vísceras das galinhas, rodas, carroças, carros de bébé... Esta é uma questão cultural, os mais velhos (a maioria) não foram educados numa prespectiva de respeito ao meio ambiente, a esperança está nos mais novos... Sobre isto uma palavra: Triste