“Eu amo Trás-os-Montes naquele silêncio das florestas e das estradas afastadas que aguardam ora a neve, ora o pavor do Verão. Amo-o ainda mais quando vejo a cor da terra e a sombra dos seus castelos em ruínas, quando suspeito o fundo dos rios, os recantos junto dos açudes e a altura das árvores. E perco-me desse mal de paixão, quando, de longe, Trás-os-Montes se assemelha vagamente a uma terra prometida aos seus filhos mais distantes, ou mais expulsos, ou mais ignorados, ou mais mortos apenas. E amam-se aquelas árvores porque vêm do interior da terra, justamente, sem invocar a sua antiguidade ou a sua grandiosidade. Ama-se o frio, até, o esplendor das geadas sobre os lameiros, o sabor da comida que nunca perdeu a intensidade nem a razão. E amam-se os rios, os areais, os poços das hortas, as cancelas de madeira que vão perdendo a cor, e talvez se amem o fogo das lareiras, os ramos mais altos dos freixos e das cerejeiras, os jardins abonecados das suas cidades, o granito das casas, o cheiro das aldeias onde ao fim da tarde se chama paz ao silêncio e se dá nome de chuva à água do céu.”
Francisco José Viegas

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Recanto

Poucos passos separam este cantinho da principal rua da aldeia, bem como os poucos fidalgos que frequentemente o vêem, até, talvez incógnito para alguns . Se me dessem a eleger o que fazer a este belo recanto, concerteza que o pintaria de cores vivas e alegres . Seria uma tarefa perfeita para dar um pouco mais de vida a este lugar ! Um futuro preditado que há muito lhe bateu à porta . Mas fico-me a editar a imagem, retirando-lhe a matiz, exprimindo assim a alma do local .

5 comentários:

euroluso disse...

Recanto de ruralidade ao abandono onde vemos,fora do lugar, a pia dos recos e uma trave carcomida de telhdo desabado; Uma varanda há muito sem crianças a correr nem velhas de lenço preto a rezar. Só as abóboras mostram que ainda há alguma vida por lá. Esperemos que um dia, alguém, possa dar vida a este cantinho especial da sua terra.

victor disse...

Não é nenhuma pia, nem nenhuma trave de telhado.É sim um antigo lagar e essa madeiro que se vê, não é mais que parte da prensa de espremer o bagaço. Havia muitas espalhadas pela aldeia. Dá uma bela reportagem para os colaboradores. Servirão para elucidar esta gente.

Paulo Ferreira disse...

Em relacção ao que foi dito pelo sr. Euroluso, a verdade não é essa, mas sim, o que se vê na imagem é um lagar, cuja prensa de madeira era furada numa das extremidades,onde outra trave em forma de aspiral, suportando o peso, serviria para subir e descer a prensa . Gostei da sua visão, Sr Euroluso, também o que disse o Victor ! Na aldeia há poucas prensas e as que há degradam-se cada vez mais ! Num futuro, os mais novos ve-las-ão só em fotografia .

Anónimo disse...

Gosto do pormenor das cabaças na varanda...

euroluso disse...

Acabou-se o sonho!