“Eu amo Trás-os-Montes naquele silêncio das florestas e das estradas afastadas que aguardam ora a neve, ora o pavor do Verão. Amo-o ainda mais quando vejo a cor da terra e a sombra dos seus castelos em ruínas, quando suspeito o fundo dos rios, os recantos junto dos açudes e a altura das árvores. E perco-me desse mal de paixão, quando, de longe, Trás-os-Montes se assemelha vagamente a uma terra prometida aos seus filhos mais distantes, ou mais expulsos, ou mais ignorados, ou mais mortos apenas. E amam-se aquelas árvores porque vêm do interior da terra, justamente, sem invocar a sua antiguidade ou a sua grandiosidade. Ama-se o frio, até, o esplendor das geadas sobre os lameiros, o sabor da comida que nunca perdeu a intensidade nem a razão. E amam-se os rios, os areais, os poços das hortas, as cancelas de madeira que vão perdendo a cor, e talvez se amem o fogo das lareiras, os ramos mais altos dos freixos e das cerejeiras, os jardins abonecados das suas cidades, o granito das casas, o cheiro das aldeias onde ao fim da tarde se chama paz ao silêncio e se dá nome de chuva à água do céu.”
Francisco José Viegas

terça-feira, 29 de março de 2011

Bem-vinda !

No passado dia 19 de Março fui até ao torneiro para ver novas plantas que aí crescem e outras que florescem mais cedo que noutras zonas do ermo . Os sobreiros são um bom exemplo de que o clima neste lugar é um pouco mais ameno .

Tecnicamente ainda não era Primavera, mas o dia mostrava-se simplesmente apetecível em sair de casa . É claro que o Inverno, para muitos, já vai sendo aborrecido com tantos dias cinzentos que teimam em não ir embora . Para outros, a Primavera, é a estação do ano que trás o incómodo: as complicações respiratórias, com ela vem o aumento de casos de alergias, causadas pelo pólen das plantas .

Os primeiros raios de sol do mês de Março são muito favoráveis à grande transformação da natureza na mudança de estação, quer na flora, quer na fauna .


As pascoas vão ilustrando as margens do ribeiro que serpenteia os lameiros, agora cobertos com algumas concentrações de malmequeres .

Por vezes, ando antecipado no que toca a registar a vegetação florida, até porque nem é mau de todo ! Quando surgem novas espécies de plantas floridas, outras já tem perdido o seu bonito colorido, como foi o caso, nomeadamente, das estevas, que não esperaram por quem se demorou, no ano anterior .

Os pinchéis, embora um pouco escondidos, é frequente encontrá-los em qualquer parte do mato .

Uma das pessoas que encontrei neste "passeio" foi o Itor, cujo rebanho de caprinos a ele lhe pertence . É sempre bom conversar com estes conhecedores profundos de cada recanto da Freguesia, bem como as suas histórias do antigamente . Nesses tempos passados, quando se saía de casa para ir trabalhar para o campo, era muito frequente encontrar fidalgos, fosse qual fosse a área que envolve todo o ermo da aldeia .


Bem vinda, beleza primaveril...

1 comentário:

Anónimo disse...

belissimo k maravilha