“Eu amo Trás-os-Montes naquele silêncio das florestas e das estradas afastadas que aguardam ora a neve, ora o pavor do Verão. Amo-o ainda mais quando vejo a cor da terra e a sombra dos seus castelos em ruínas, quando suspeito o fundo dos rios, os recantos junto dos açudes e a altura das árvores. E perco-me desse mal de paixão, quando, de longe, Trás-os-Montes se assemelha vagamente a uma terra prometida aos seus filhos mais distantes, ou mais expulsos, ou mais ignorados, ou mais mortos apenas. E amam-se aquelas árvores porque vêm do interior da terra, justamente, sem invocar a sua antiguidade ou a sua grandiosidade. Ama-se o frio, até, o esplendor das geadas sobre os lameiros, o sabor da comida que nunca perdeu a intensidade nem a razão. E amam-se os rios, os areais, os poços das hortas, as cancelas de madeira que vão perdendo a cor, e talvez se amem o fogo das lareiras, os ramos mais altos dos freixos e das cerejeiras, os jardins abonecados das suas cidades, o granito das casas, o cheiro das aldeias onde ao fim da tarde se chama paz ao silêncio e se dá nome de chuva à água do céu.”
Francisco José Viegas

sábado, 26 de agosto de 2006

É o fim...


Já é oficial... A escola que me viu aprender durante 6 memoráveis anos vai fechar...
Com base na redifinição do sistema de ensino português vai verificar-se uma concentração dos "pupilos" em determinadas freguesias em deterimento de outras, pelos vistos todas as escolas da região de Monforte, incluíndo a da nossa freguesia, irão encerrar não neste, mas no próximo ano lectivo, tendo dos nossos fidalguinhos (poucos mas bons) deslocar-se cerca de 9 km até Vila Verde da Raia, já no vale de Chaves onde serão concentradas todas as crianças do nordeste do concelho.
Não posso deixar de ficar triste, lembro-me como se fosse ontem do meu primeiro dia de aulas já lá vão mais de 16 anos, dos sacrificios que fiz quando todas as manhas me deslocava desde o fundo do povo até à escola chegando inumeras vezes com o cabelo congelado ao lagiado da escola pedindo à contínua que me deixasse entrar para a sala de aula para me aquecer... Era também um tanto quanto preguiçoso, ficava radiante sempre que caía um grande nevão e não havia aulas, era uma alegria... Foi também na escola que me "apaixonei" pela primeira vez, aqueles namoros de mão dada que de tão belos deviam ser ensinados a muita gente, talvez assim encontrassem um rumo na vida, é que na escola não se aprende apenas a ler, a escrever... aprendemos também a ser gente,a sentir, a errar e claro aprender...
Ainda frequentei a designada tele escola, talvez a melhor coisa que me aconteceu... Não só porque me permitiu cimentar ainda mais as raízes na minha terra, pois pude aí estar mais 2 anos e também porque agora posso dizê-lo tive excelentes professores que arrisco a dizer foram muito mais para todos nós que meros professores... Aliás nunca consegui entender porque este sistema de ensino tão familiar onde existia uma tão grande proximidade foi tão dimiuído, eu não entrei no Liceu de Chaves menos preparado que os outros, até pelo contrário, modéstia à parte fui o melhor aluno da minha turma em todo o secundário...
É com muita nostalgia que soube desta notícia, espero que pelo menos a nossa junta saiba fazer bom uso daquele espaço devolvendo-o à comunidade... A ver vamos...

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

O Tronco


Cada vez que passo em frente a este "objecto", recordo com nostalgia os velhos tempo de criança e das brincadeiras no velho tronco de madeira que havia no mesmo local e que era alvo das nossas mais diversas acrobacias.

Também nesse tempo, cada vez que um animal se engasgava com uma batata, lá vinha o "Ti Costa" desengasgá-lo, enfiando-lhe a aguilhada pela goela abaixo...

domingo, 20 de agosto de 2006

A Senhora das Neves



Mais uma vez, dia 5 de Agosto realizou-se a Festa da senhora das Neves, mais conhecida pela festa dos casados. É tradição, cada casal cuidar um ano da manutenção da Igreja, o homem servindo de sacristão e a mulher zelando a limpeza e asseio das instalações.

Decorrido o ano, o casal organiza uma festa que inclui a elaboração de um ramo de "Negrilho" enfeitado com variados produtos da região, entre eles um frango, uma cabaça de vinho, um cacho de uvas, uma melancia e as chaves da Igreja.
Realizam se algumas cerimónias religiosas, e este ramo, após percorrer as ruas da aldeia, é entregue ao casal destinado a desempenhar as funções de mordomo no ano seguinte.

A festa termina com um baile, ao som da concertina, à porta do novo casal.