No centro da Aldeia, paredes meias com o mini mercado Martins, e com o antigo café da Bandeira, podemos encontrar o velho tanque. Para além de ser um dos monumentos históricos de Paradela,o largo onde se encontra, continua a ser o local de referência das brincadeiras de carnaval... A data da sua construção encontra-se rasurada. Inicialmente foi marcada como sendo 1939, mas, depois passou para 1940. Teria alguma coisa a ver com a inauguração? Será qque o politico responsável por cortar a fita não teve disponobilidade de agenda antes? Nessa altura não havia eleições... Nele podemos ler as iniciais de C.M.C. (Câmara Municipal de Chaves) O.P.M.R. (Obra Publica Ministério Republica) Será?
“Eu amo Trás-os-Montes naquele silêncio das florestas e das estradas afastadas que aguardam ora a neve, ora o pavor do Verão. Amo-o ainda mais quando vejo a cor da terra e a sombra dos seus castelos em ruínas, quando suspeito o fundo dos rios, os recantos junto dos açudes e a altura das árvores. E perco-me desse mal de paixão, quando, de longe, Trás-os-Montes se assemelha vagamente a uma terra prometida aos seus filhos mais distantes, ou mais expulsos, ou mais ignorados, ou mais mortos apenas. E amam-se aquelas árvores porque vêm do interior da terra, justamente, sem invocar a sua antiguidade ou a sua grandiosidade. Ama-se o frio, até, o esplendor das geadas sobre os lameiros, o sabor da comida que nunca perdeu a intensidade nem a razão. E amam-se os rios, os areais, os poços das hortas, as cancelas de madeira que vão perdendo a cor, e talvez se amem o fogo das lareiras, os ramos mais altos dos freixos e das cerejeiras, os jardins abonecados das suas cidades, o granito das casas, o cheiro das aldeias onde ao fim da tarde se chama paz ao silêncio e se dá nome de chuva à água do céu.”
Francisco José Viegas
Francisco José Viegas
segunda-feira, 15 de janeiro de 2007
O Tanque
No centro da Aldeia, paredes meias com o mini mercado Martins, e com o antigo café da Bandeira, podemos encontrar o velho tanque. Para além de ser um dos monumentos históricos de Paradela,o largo onde se encontra, continua a ser o local de referência das brincadeiras de carnaval... A data da sua construção encontra-se rasurada. Inicialmente foi marcada como sendo 1939, mas, depois passou para 1940. Teria alguma coisa a ver com a inauguração? Será qque o politico responsável por cortar a fita não teve disponobilidade de agenda antes? Nessa altura não havia eleições... Nele podemos ler as iniciais de C.M.C. (Câmara Municipal de Chaves) O.P.M.R. (Obra Publica Ministério Republica) Será?
quinta-feira, 11 de janeiro de 2007
António "Mamotas"
Esta noticia, penso que já é um pouco "velha", mas, cá vái...
Apesar de ainda ter os seus caminhos em terra batida, o bairro do Rajado é um bairro da cidade de Chaves. Mas a sua proximidade do centro urbano não impede que os lobos ali ataquem os animais. Ou mesmo as pessoas. Foi o que aconteceu no passado sábado. O dia já clareava, embora ainda não fossem as seis. A família de António Rodrigues tinha madrugado e preparava-se para partir de fim de semana, rumo à aldeia. Subitamente, no quintal da casa, uma das suas filhas gritou: "Anda ali uma raposa!". "Mas não era nada uma raposa", contou depois o senhor António, que, do cimo dos seus 74 anos, bem sabe distinguir o que é raposa e o que é lobo. "Era um lobo e já não era menor, pois tinha muita prática de vida", garante, ele que, no seu tempo, chegou a ver sete juntos, lá no termo, nas proximidades das leiras que tem em Paradela de Monforte. Tinha a fera acabado com a vida de uma mansa cordeira que pernoitava fora, embora apenas protegida por uma cerca de arame, já que o cão da casa só se enfurece e ladra na presença de gatos. Às primeiras dentadas desmembrou o lobo logo uma das patas dianteiras da ovelha. E estava a comê-la quando foi interrompida pelo grito de alarme e susto da filha do senhor António. Enquanto, resoluto, foi o da casa deitar mão a um sacho com que, de uma assentada, acabaria com o bicho intruso, a sua mulher, Lurinda da Encarnação, foi diante e abriu a cancela da cerca, que, fechada como estava, sempre atrapalharia a incursão rápida que o marido lhe anunciara. Mas, antes mesmo de se sentir acossado pelo sacho que lhe viria destinado, avançou o lobo em direcção à cancela aberta. Apesar dos seus 72 anos já feitos, quis a dona Lurinda, com apenas o seu delgado e frágil corpo, impedir-lhe a fuga. Ou não fugiu ela a tempo de evitar a investida que viria a sofrer. "Deu-lhe uma dentada assim na barriga, salvo seja, e fez-lhe dois golpes com os dentes. Valeu-lhe a grossura da roupa, senão era pior", relata o senhor António. Mas a investida do lobo causou, também, danos colaterais, neste caso na mesma vítima. "Conforme se atirou a ela, meteu-lhe uma pata na parte, salvo seja, e fez-lhe uma grande pisadura. E, coitada, ao cair ainda fez um golpe no papo". Já não foi necessária a sachola. O urgente, agora, era acudir à mulher. Até porque o lobo deu meia volta, pulou a cerca e desapareceu. Recompostos todos e depois de se certificarem que os ferimentos da dona Lurinda não eram muito graves lembrou-se a família então de ir conferir os danos sofridos pela cordeira. Mas esta já jazia. A pata direita, desmembrada, estava a metro e meio de distância e boa parte do pescoço e do peito mais distantes ainda, já em provável processo de digestão. "Sangrou-a como a um cristão", descreve o senhor António, referindo-se, não sem pena e afecto, à sua cordeira, que, em termos meramente mercantis, avaliou em 13 contos. A cordeira do senhor António era única da espécie lá em casa. Aliás, a última de quatro que ali chegaram a conviver. A primeira foi para a comunhão do neto. Com outras duas, à uma, festejaram António e Lurinda as suas Bodas de Ouro. Engordavam esta para a próxima festa que marcassem, o que em nada diminuía o afecto da família pelo animal. Ou, se não era afecto o sentimento revelado, seria o de pena por antes deles se ter nela banqueteado o maldito lobo. O que é certo é que, perante a cordeira morta e destroçada na lameira da sua casa, o senhor António não parava de praguejar contra os lobos e "esses de agora" que os protegem e até os soltam por esses montes, "para andarem por aí nestes trabalhos". "Dizem que é proibido matá-los? Pois se o apanhasse arreava-lhe uma sacholada que o matava na hora. E fosse à frente de quem fosse..." O senhor António não sabia que, a comprovar-se que a sua cordeira tinha mesmo sido atacada por um lobo, há serviços estatais que o indemnizam por todos prejuízos sofridos.
in Diário de Trás-os-Montes
in Diário de Trás-os-Montes
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Reciclagem...
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