“Eu amo Trás-os-Montes naquele silêncio das florestas e das estradas afastadas que aguardam ora a neve, ora o pavor do Verão. Amo-o ainda mais quando vejo a cor da terra e a sombra dos seus castelos em ruínas, quando suspeito o fundo dos rios, os recantos junto dos açudes e a altura das árvores. E perco-me desse mal de paixão, quando, de longe, Trás-os-Montes se assemelha vagamente a uma terra prometida aos seus filhos mais distantes, ou mais expulsos, ou mais ignorados, ou mais mortos apenas. E amam-se aquelas árvores porque vêm do interior da terra, justamente, sem invocar a sua antiguidade ou a sua grandiosidade. Ama-se o frio, até, o esplendor das geadas sobre os lameiros, o sabor da comida que nunca perdeu a intensidade nem a razão. E amam-se os rios, os areais, os poços das hortas, as cancelas de madeira que vão perdendo a cor, e talvez se amem o fogo das lareiras, os ramos mais altos dos freixos e das cerejeiras, os jardins abonecados das suas cidades, o granito das casas, o cheiro das aldeias onde ao fim da tarde se chama paz ao silêncio e se dá nome de chuva à água do céu.”
Francisco José Viegas

terça-feira, 13 de setembro de 2011

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Abundância dos frutos

Próximo do outono e do equinócio de setembro, a colheita dos mais variados frutos que foram cuidados ao longo do verão, estão agora no ponto de serem colhidos. As maçãs, os pessêgos, as pêras, como as nozes, são alguns frutos que se dão por vencidos ao tempo e ao amadurecimento, acabando por cair no chão .
Com as primeiras chuvas de setembro e os dias ainda de bastante calor, acabam por ser uma mais valia às uvas em vésperas de vindima. Este ano creio que há muitas e boas uvas, pois as geadas não vieram fazer das suas, como o que aconteceu no último ano.
Alguns fidalgos já com semana prevista para sua vindima, vão desocupando os lagares que até aqui serviram de depósito de diversas coisas. Como referi, não havia muito tempo que tinham caído as primeiras chuvas do mês, fazendo brotar do solo, ainda que tímidos, os primeiros cogumelos !
Numa pequena caminhada que realizei num destes dias, até ao "bido", foi simplesmente notória a mudança de cor em quase toda a vegetação, principalmente na folhagem das árvores . O ímpeto e o gosto de ver a grande transformação das coisas na mudança de estações sempre me fascinaram !

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Cenário desolador

Já foi no passado dia 20 de agosto(creio eu) que a aldeia de Mairos foi surpreendida por um incêndio que reduziu a cinzas parte da encosta do vale grande . Esta serra já foi palco de vários incêndios nos últimos anos . A vegetação, quase toda ela rasteira, não chega por isso a atingir maior porte. Nessa noite, o cenário era pavoroso, e quando é nestes casos, os vizinhos também temem pelo pior !