“Eu amo Trás-os-Montes naquele silêncio das florestas e das estradas afastadas que aguardam ora a neve, ora o pavor do Verão. Amo-o ainda mais quando vejo a cor da terra e a sombra dos seus castelos em ruínas, quando suspeito o fundo dos rios, os recantos junto dos açudes e a altura das árvores. E perco-me desse mal de paixão, quando, de longe, Trás-os-Montes se assemelha vagamente a uma terra prometida aos seus filhos mais distantes, ou mais expulsos, ou mais ignorados, ou mais mortos apenas. E amam-se aquelas árvores porque vêm do interior da terra, justamente, sem invocar a sua antiguidade ou a sua grandiosidade. Ama-se o frio, até, o esplendor das geadas sobre os lameiros, o sabor da comida que nunca perdeu a intensidade nem a razão. E amam-se os rios, os areais, os poços das hortas, as cancelas de madeira que vão perdendo a cor, e talvez se amem o fogo das lareiras, os ramos mais altos dos freixos e das cerejeiras, os jardins abonecados das suas cidades, o granito das casas, o cheiro das aldeias onde ao fim da tarde se chama paz ao silêncio e se dá nome de chuva à água do céu.”
Francisco José Viegas

domingo, 20 de novembro de 2011

Estão por toda a parte

Estas setas indicadoras são o registo visual deixado de provas de BTT que se concretizaram há já algum tempo em toda a área da aldeia e até dentro dela. Considero isto como lixo visual. Para onde quer vamos, damos sempre de caras com estes malditos símbolos. É claro que não tenho nada contra a realização destas provas de bicicleta, antes pelo contrário. É uma boa forma de ocupar o tempo, o exercício físico faz muitíssimo bem e até se recebem troféus! Falo no sentido em que poderiam marcar o percurso a percorrer de outra forma e não esta, como por exemplo fitas sinalizadoras, pois poderiam ser removidas facilmente. A cor reflectora destas marcas está lá e permanecerá por muito mais tempo!

domingo, 13 de novembro de 2011

Magusto na antiga escola

Por volta das 16 horas, já o lume tinha feito brasas suficientes para se porem as sardinhas a assar, a seguir a entremeada e as fêveras enquanto as castanhas acabavam de ser assadas no forno de casa do sr Licínio VilaNova.
O frio não foi um incómodo e a chuva apenas ameaçou com algumas gotas em breves momentos.
As sardinhas vão sendo colocadas nas grelhas já quentes.
Com a ajuda de duas forquilhas colocavam-se e retiravam-se as grelhas da fogueira, o calor era imenso e fazia corar .
Comia-se e bebia-se ao sabor de conversas acompanhadas de mais uma pinga de tinto.
O pão de trigo foi também cozido para este convívio entre fidalgos.
Alguns pães (ainda fresquinhos) que não foram consumidos, cerca de 2 quilos de castanhas por assar que eu ofereci e algumas rifas que já se vendem para a próxima festa da Srª da Penha, foram convertidos em euros.

A noite cai sorrateiramente....
O flash da máquina fotográfica não passa despercebido por quem fazia questão de ser fotografado, na intenção de serem vistos noutras terras pelos seus.
O meu tio Domingos Barroso quis salientar que além do sr Octávio, avô do Óscar, é o mais idoso da aldeia.
Decorreu tudo como previsto, a palavra convívio é a que assenta melhor neste magusto organizado pela Junta de Freguesia. Parabéns !

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Dia de São Martinho

Caros Fidalgos, como manda a tradição, no dia de São Martinho....

assam-se as castanhas...



e prova-se o vinho...



de preferência do novo... ou então uma jeropiga!

E já agora pedimos ao S. Martinho que dê um ar da sua graça e nos mande vir o conhecido verão destes dias!


EFEMÉRIDE deste dia


No calendário litúrgico, o dia de S. Martinho celebra-se a 11 de Novembro, data em que este Santo, primeiro dos Santos não mártires, falecido dois ou três dias antes em Candes, no ano de 397, foi a enterrar em Tours, França, com pompa e circunstância na cidade de que fora Bispo durante mais de um quarto de século.




Conta a lenda que num dia de Outono/Inverno rigoroso, Martinho soldado ao serviço do Imperador de França, viajava no seu cavalo, decorria o ano 337, quando no caminho se deparou com um pobre mendigo, cheio de frio no meio daquela intempérie. Sem hesitar, Martinho, com a sua espada rasgou a sua capa de soldado ao meio e cedeu-a aquele pobre. Quando prosseguiu o seu caminho, as nuvens subitamente desapareceram e veio o famoso sol de São Martinho, permitindo que este chegasse ao seu destino em condições.


O facto de o seu dia coincidir com a época do ano em que se celebra o culto dos antepassados e com a altura do calendário rural em que terminam os trabalhos agrícolas e se começam a usufruir das colheitas (do vinho, dos frutos, dos animais) leva a que a festa deste Santo tenha toda uma componente de exuberância que atualmente tende a prevalecer.

Assim, em Portugal, o dia de S.Martinho é invocado nas cerimónias religiosas dos locais culto, e o seu espírito de solidariedade lembrado, quanto mais não seja, através do relato do episódio em que partilhou a sua capa com um pobre; mas de resto, e por todo o lado, as pessoas andam ocupadas nas atividades mencionadas nos provérbios sobre este dia: assam-se as castanhas, prova-se o vinho…