“Eu amo Trás-os-Montes naquele silêncio das florestas e das estradas afastadas que aguardam ora a neve, ora o pavor do Verão. Amo-o ainda mais quando vejo a cor da terra e a sombra dos seus castelos em ruínas, quando suspeito o fundo dos rios, os recantos junto dos açudes e a altura das árvores. E perco-me desse mal de paixão, quando, de longe, Trás-os-Montes se assemelha vagamente a uma terra prometida aos seus filhos mais distantes, ou mais expulsos, ou mais ignorados, ou mais mortos apenas. E amam-se aquelas árvores porque vêm do interior da terra, justamente, sem invocar a sua antiguidade ou a sua grandiosidade. Ama-se o frio, até, o esplendor das geadas sobre os lameiros, o sabor da comida que nunca perdeu a intensidade nem a razão. E amam-se os rios, os areais, os poços das hortas, as cancelas de madeira que vão perdendo a cor, e talvez se amem o fogo das lareiras, os ramos mais altos dos freixos e das cerejeiras, os jardins abonecados das suas cidades, o granito das casas, o cheiro das aldeias onde ao fim da tarde se chama paz ao silêncio e se dá nome de chuva à água do céu.”
Francisco José Viegas

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O que a natureza oferece


Ainda que o sol viesse quente, a mais pequena brisa sentida no rosto fazia-me despertar as baixas temperaturas. Era fim-de-semana em princípio de Fevereiro, também marcado por uma vaga de frio vinda sei lá de onde. Certo foi as águas congelarem e durante aquelas manhãs houve fidalgos que não tiveram água canalizada. Os tanques e poços expunham uma brilhante capa de gelo à superfície, que derretia mediante o sol se espelhava. Achava que estava frio mas não o suficiente para que me privasse daquilo que realmente gosto de fazer. Até porque a minha própria imaginação levaria-me a encontrar um lindo cenário bastante gelado! Chegar lá não é de todo a tarefa mais complicada devido ao meu conhecimento em visitas anteriores, mas sim a descida na escarpa rochosa que o cachão tem. Este sítio também pode ser alcançado pela jusante, mas para tal é necessário que o caudal seja pequeno. A primavera é a ideal estação do ano para ver a flora e a fauna em perfeita harmonia e ouvir sons que nos dão uma sensação de tranquilidade. O Inverno talvez seja um pouco chato mas não deixa de ser indispensável e de oferecer bonitas imagens.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Já chegou...

a vaga de frio de que tanto se tem ouvido falar. No dia de ontem à noite, 3.5ºC abaixo de zero já faziam bater o dente a quem saiu à rua. Esta noite, pelos vistos, ainda estará mais frio. As temperaturas podem chegar aos -6ºC a -7 ºC ! Aconselha-se às pessoas a terem os cuidados habituais: Andar bem agasalhados, especial atenção a quem utiliza a brazeira, podendo queimar todo o oxigénio de locais muito reduzidos e pouco arejados e ter a lado um inimigo invísivel que mata, o monóxido de carbono... entre outros...

domingo, 29 de janeiro de 2012

Inverno sem chuva

Este fim de semana o sol parecia de primavera, contrastando a estação do ano. Devíamos ser abençoados pela chuva, já que a sua ausência tem-se prolongado em muitas semanas e parece não haver sinal dela. As barragens da nossa zona encontram-se muito abaixo de metade do nível de capacidade e as culturas desesperam por água. Em vez disso somos brindados com este sol contagiante e quando as noites tomam lugar ao dia, aí o frio é a sério, formando geadas valentes. Na cidade de Chaves acontece o mesmo, só que estas são acompanhadas pela densa bruma quase todas as manhãs.
Este mini passeio levou-me até ao torneiro, queria subir aos fragões mas não o fiz devido à conversa demorada que tive com o fidalgo Itor que guardava o rebanho de caprinos ali bem perto. Já depois dele ter ido embora ainda me sobrou algum tempo para ir fotografar a "presa" aos moinhos do ti António moleiro, antes que o sol se pusesse. Como era de esperar, a água que aí caía não era muita mas deu-me uma boa fotografia.
Esperamos que nos próximos tempos a chuva nos compense.