“Eu amo Trás-os-Montes naquele silêncio das florestas e das estradas afastadas que aguardam ora a neve, ora o pavor do Verão. Amo-o ainda mais quando vejo a cor da terra e a sombra dos seus castelos em ruínas, quando suspeito o fundo dos rios, os recantos junto dos açudes e a altura das árvores. E perco-me desse mal de paixão, quando, de longe, Trás-os-Montes se assemelha vagamente a uma terra prometida aos seus filhos mais distantes, ou mais expulsos, ou mais ignorados, ou mais mortos apenas. E amam-se aquelas árvores porque vêm do interior da terra, justamente, sem invocar a sua antiguidade ou a sua grandiosidade. Ama-se o frio, até, o esplendor das geadas sobre os lameiros, o sabor da comida que nunca perdeu a intensidade nem a razão. E amam-se os rios, os areais, os poços das hortas, as cancelas de madeira que vão perdendo a cor, e talvez se amem o fogo das lareiras, os ramos mais altos dos freixos e das cerejeiras, os jardins abonecados das suas cidades, o granito das casas, o cheiro das aldeias onde ao fim da tarde se chama paz ao silêncio e se dá nome de chuva à água do céu.”
Francisco José Viegas

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Progresso...

Enquanto vão nascendo novas habitações...



Outras vão desaparecendo...


enfim... é o progresso...

1 comentário:

profValbom disse...

O conjunto das duas fotos apresentadas pode dar muito para reflectir sobre as nossas aldeias transmontanas. Na 1ª, poderá ser um bom indicador, já que se infere que mais gente se interessa por habitar as já desertificadas aldeias, mas ... e há sempre um mas, tendo sempre em atenção as características da região onde se inserem (sem a desregrada construção inestectica que por vezes vemos por este nosso país fora), o que não me parece ser o caso.
Na 2ª, é uma imagem constrangedora mas comum às nossas aldeias.
É uma pena que não se incentive a reconstrução (mantendo o exterior das casas que são a representação e identificação de uma determinada região)e dando o conforto interior que já todos nós não precindimos. Penso que estes dois interesses são possíveis de atingir.
Obrigado pelas fotos, que nos fazem reflectir sobre o património arquitectónico que temos o dever de preservar (que não são só os castelos, palácios e outras coisas que tais...)