“Eu amo Trás-os-Montes naquele silêncio das florestas e das estradas afastadas que aguardam ora a neve, ora o pavor do Verão. Amo-o ainda mais quando vejo a cor da terra e a sombra dos seus castelos em ruínas, quando suspeito o fundo dos rios, os recantos junto dos açudes e a altura das árvores. E perco-me desse mal de paixão, quando, de longe, Trás-os-Montes se assemelha vagamente a uma terra prometida aos seus filhos mais distantes, ou mais expulsos, ou mais ignorados, ou mais mortos apenas. E amam-se aquelas árvores porque vêm do interior da terra, justamente, sem invocar a sua antiguidade ou a sua grandiosidade. Ama-se o frio, até, o esplendor das geadas sobre os lameiros, o sabor da comida que nunca perdeu a intensidade nem a razão. E amam-se os rios, os areais, os poços das hortas, as cancelas de madeira que vão perdendo a cor, e talvez se amem o fogo das lareiras, os ramos mais altos dos freixos e das cerejeiras, os jardins abonecados das suas cidades, o granito das casas, o cheiro das aldeias onde ao fim da tarde se chama paz ao silêncio e se dá nome de chuva à água do céu.”
Francisco José Viegas

sábado, 22 de setembro de 2012

Final de estação

No tempo que tenho disponível nem sempre vou à aldeia como gostaria e, por vezes, ocupo-me de outras actividades, nem sempre relacionadas com a fotografia. Deste modo e por falta de muita informação, o blog nem sempre é actualizado e disponibiliza à nossa diáspora tudo o que se vai passando na terrinha. Penso que as redes sociais vieram reduzir bastante o número de visitas aos blog´s e as pessoas dão-lhe menos importância, até porque se sentem mais à vontade quando comentam.
No meu caso, não gosto muito de misturar as duas coisas, até porque no blog tento fornecer mais informação e um pouco de originalidade (do meu ponto de vista.)
A ortografia e os sinais de pontuação nos textos nem sempre são os correctos, mas o mais importante na escrita é fazermo-nos compreender. As novas palavras do novo acordo ortográfico não me tem mostrado muita importancia. À medida que for tendo conhecimento poderei utilizá-las
Chega assim ao fim os três meses mais calorentos, ainda que os finais de setembro e princípios de outubro nos proporcione um verão por vezes prolongado. Embora o tempo diurno tenha diminuído e as noites a tornarem-se cada vez mais frias, durante o dia o sol ainda queima (clima característico do deserto.) O relevo do terreno na imagem faz-me lembrar esses lugares.
A ultima vez que tinha ido às quintas ainda era primavera e as cores  coloriam tudo que era vegetação. Como era de esperar, o cenário é agora um pouco diferente e o panorama pode-se vir agravar com a falta de chuva. Os ribeiros nem gota levam e a barragem de Mairos e Nogueirinhas dispõem de pouca reserva ! As uvas ainda na vinha agradeciam umas pingas caídas do céu, bem como os castanheiros, que nesta fase era essencial para o desenvolvimento do ouriço. 
A colheita da batata já se fez, as atenções voltam-se para as uvas e já se planeia marcar data para o dia da vindima.

Sem comentários: